Surge uma nova classe: os profissionais da imagem em movimento

A tecnologia facilitou muito a produção audiovisual nos últimos vinte anos. Surgiram as câmeras portáteis, depois vieram as câmeras mais portáteis ainda e a gente estava feliz com a portabilidade mas não se contentava com a qualidade. E então, em 2009 a Nikon lançou no mercado a opção vídeo na D90 e as HDSLRs transformaram o mercado da imagem em movimento.

Sim, transformação é a palavra para designar o momento que vivemos no audiovisual. Os fotógrafos passaram a ter uma experiência videográfica e os videomakers, por sua vez, uma experiência cinematográfica. Uma nova forma de produzir nasce com essas câmeras.

Elas são realmente revolucionárias. Possuem sensor extremamente sensível a luz, melhores do que uma filmadora. As lentes SLR são mais nítidas e mais versáteis, elas captam imagens de forma clara, com alto contraste e o resultado final é muito próximo da referência de imagem que temos das produções de cinema.

O vídeo a seguir mostra o making of de um comercial feito com as Canon 5D e 7D. Tudo bem que é uma campanha da própria Canon e pode soar tendencioso, mas muitos profissionais da imagem em movimento afirmam: é tudo verdade.

Vejam que eu insisto em dizer “profissionais da imagem em movimento”. Principalmente com o advento das HDSLRs no mercado de vídeo, o tal do “cinegrafista” é uma figura decadente. Ainda é difícil dimensionar as consequências deste processo. Fato é que surge essa nova classe do profissional que veio da comunicação, das artes, da fotografia, do cinema, da música e, de repente, até da gastronomia, turismo, medicina, sei lá. Todo mundo fazendo “imagens em movimento”. Instalações, curtas, webdocs, longas, documentários, ficção, videoclipes, institucionais, tudo, tudinho que se possa imaginar.

O resultado do produto final é encantador sem precisar de muito esforço. É necessário ter noções básicas de fotografia, um pouco de sensibilidade que no fundinho todo mundo tem e pronto! DO NADA (ou não), você VIRA (ou não) um profissional da imagem em movimento.

Luzes, câmera e ação não bastam. Esse é o meu mantra desde o boom dos vídeos feitos com HDSLRs, produções de todos os tipos e pirações que assisto diariamente no Youtube e no Vimeo.

É difícil categorizar essa nova safra e os próximos capítulos serão destinados a pilantragem e a punhetagem. Já vejo bastante gente exacerbada e ansiosa, querendo descobrir um caminho mercadológico para suas “criações audiovisuais”. Não se preocupem, os bons sobreviverão.

Você é sua própria estação!

Com a convergência das mídias a televisão não é mais a mesma justamente porque o telespectador mudou. A produção quase instantânea, a cobertura em tempo real sem muitas parafernálias, a emergência da informação e da comunicação potencializada pelas redes sociais, a disposição para gerar conteúdos colaborativos, tudo isso impulsiona uma nova forma de fazer e assistir TV.

Me alegro com isso e acho tão ultrapassada qualquer discussão sobre as divergências que referem-se a substituição de uma coisa por outra, como por exemplo, as supostas intrigas entre cinegrafistas e videorrepórteres.

Estamos/somos autônomos, conectados e produzindo em qualquer canto. Você é sua própria estação! E esse, é um caminho sem volta. Quem vem?