Durante décadas o artista plástico Alexandre Sesper e o produtor musical Sérgio Lopes garimparam preciosidades. Exemplares originais de free jazz da Impulse! Records, CDs e pôsteres de 1987 da primeira banda de Dave Grohl – a Scream – assinados pelo músico, shapes de treino originais da equipe Alva e Steadham em perfeitas condições, a coleção completa da revista Fiz da dupla Os Gêmeos feita no final dos anos 90, peças raras do legado da família Coltrane e muitas camisetas e fanzines dos anos 80 e 90 são apenas alguns dos collectables que estão à venda na HatersandSkills.
A loja fica na Galeria Ouro Velho, no coração da Rua Augusta. Lugar efervescente e que nos surpreende constantemente. Nada é mais prazeroso do que andar sem compromisso por São Paulo e descobrir em cada esquina um novo mundo.
Nessa videorreportagem usei uma Canon T2i, bem simples. Percebam que errei o enquadramento na hora de fazer a cabeça, sem LCD é difícil, mas não impossível. É preciso treinar bastante e com o tempo se acostumar com cada lente. Paciência é fundamental e com o domínio do equipamento você saberá exatamente o que está fazendo sem precisar verificar a imagem o tempo todo.
A estilista Marcita Amores foi criada entre tecidos, linhas e máquinas de costura. O envolvimento com o universo da moda é coisa de família. O nome da loja não poderia ser mais apropriado: Amores. As peças são criadas artesanalmente e tudo é feito com muita paixão.
O lugar é bem intimista e pautas como essa são excelentes para o videorrepórter que se preocupa com os detalhes. O que mais me chamou atenção foi a combinação das cores que com pouca luz me proporcionaram um ambiente bonito e muito agradável. Quanto a personagem, mais simpática impossível.
Minhas cabeças são curtas, bem curtas. Gosto de fazer assim, é o modelo que encontrei para filtrar meu texto, usar somente o necessário e nesta videorreportagem eu precisava falar aquelas palavras: arte, moda, paixão e amor. Tenho sido bem objetiva nesse sentido e vou testando minhas participações nas vr’s como forma de assinar meu conteúdo com aquilo que eu realmente gostaria que vocês me vissem falando. Também crio a maioria das minhas aparições para apresentar a videorreportagem. Falarei mais disso depois. Agora, vamos a parte boa deste post, assista e se delicie!
A tecnologia facilitou muito a produção audiovisual nos últimos vinte anos. Surgiram as câmeras portáteis, depois vieram as câmeras mais portáteis ainda e a gente estava feliz com a portabilidade mas não se contentava com a qualidade. E então, em 2009 a Nikon lançou no mercado a opção vídeo na D90 e as HDSLRs transformaram o mercado da imagem em movimento.
Sim, transformação é a palavra para designar o momento que vivemos no audiovisual. Os fotógrafos passaram a ter uma experiência videográfica e os videomakers, por sua vez, uma experiência cinematográfica. Uma nova forma de produzir nasce com essas câmeras.
Elas são realmente revolucionárias. Possuem sensor extremamente sensível a luz, melhores do que uma filmadora. As lentes SLR são mais nítidas e mais versáteis, elas captam imagens de forma clara, com alto contraste e o resultado final é muito próximo da referência de imagem que temos das produções de cinema.
O vídeo a seguir mostra o making of de um comercial feito com as Canon 5D e 7D. Tudo bem que é uma campanha da própria Canon e pode soar tendencioso, mas muitos profissionais da imagem em movimento afirmam: é tudo verdade.
Vejam que eu insisto em dizer “profissionais da imagem em movimento”. Principalmente com o advento das HDSLRs no mercado de vídeo, o tal do “cinegrafista” é uma figura decadente. Ainda é difícil dimensionar as consequências deste processo. Fato é que surge essa nova classe do profissional que veio da comunicação, das artes, da fotografia, do cinema, da música e, de repente, até da gastronomia, turismo, medicina, sei lá. Todo mundo fazendo “imagens em movimento”. Instalações, curtas, webdocs, longas, documentários, ficção, videoclipes, institucionais, tudo, tudinho que se possa imaginar.
O resultado do produto final é encantador sem precisar de muito esforço. É necessário ter noções básicas de fotografia, um pouco de sensibilidade que no fundinho todo mundo tem e pronto! DO NADA (ou não), você VIRA (ou não) um profissional da imagem em movimento.
Luzes, câmera e ação não bastam. Esse é o meu mantra desde o boom dos vídeos feitos com HDSLRs, produções de todos os tipos e pirações que assisto diariamente no Youtube e no Vimeo.
É difícil categorizar essa nova safra e os próximos capítulos serão destinados a pilantragem e a punhetagem. Já vejo bastante gente exacerbada e ansiosa, querendo descobrir um caminho mercadológico para suas “criações audiovisuais”. Não se preocupem, os bons sobreviverão.
Conheço o Fabio Stachi de outros carnavais. Não da época de fotolog, mas ele é amigo antigo do flickr. Seus posts indicam o olhar precioso de um fotógrafo que não se comove com belos editoriais e, nos últimos três anos, ele procura pelos piores cenários que você pode imaginar. Lugares sujos, abandonados, sem segurança, sem luz, escalafabéticos eu diria, essas são as locações perfeitas para um ensaio que ele não tem pressa de acabar.
Digo isso porque acompanhei um dos seus trabalhos com a modelo-namorada Patrícia Costa. Aliás, foi por causa dela que Stachi entortou, no melhor sentido da palavra, claro. Foi idéia da Patrícia fotografar pela primeira vez em um prédio abandonado, depois disso eles não pararam mais. Manicômio fechado, escola as traças e até uma unidade desativada da Febem já serviram como cenários do casal. Patrícia se revela em poses bastante instigantes e há um contraste da beleza quase angelical da namora-modelo com os lugares decadentes onde eles fotografam.
As primeiras imagens que vi desse tipo de trabalho realizado por este casal tão absurdamente talentoso, pensei: Ele é o nosso Robert Polidori da desordem humana! Isso porque o Polidori retrata o caos social de uma forma grande, o Stachi evidencia o caos pessoal, de maneira bem intimista. Gosto da referência pictórica que esses fotógrafos conseguem revelar, verdadeiras obras de arte que nos causam vertigens.
Para fazer essa videorreportagem eu tive ajuda do Duca Mendes, que fez imagens de apoio durante as entrevistas e outras tantas belíssimas nos bastidores do ensaio. Usamos as seguintes câmeras: Canon 60D, Canon T2i e Sony A1. Provavelmente você vai se impressionar com as imagens das HDSLRs, que são as Canon. Usei a A1 somente nas sonoras da Patricia sentada e do Fabio encostado na parede e reforço: e errei nessa decisão. Gostaria de ter usado a 60D nas entrevistas mas eu ainda estava receosa quanto ao áudio dela, mesmo utilizando o lapela ou o Rode. Estou tirando minhas provas aos poucos com relação a melhor qualidade para captação do som com essas câmeras e farei um post falando só sobre isso.
Arrisquei duas sonoras com o áudio da própria 60D, vale dizer que não tinha barulho no local e mesmo assim deixa bastante a desejar. Reparem no vídeo, a primeira é a cena do casal sentado na cama e eu estou gravando atrás da grade da janela e a segunda cena é quando a Patrícia fala sobre a questão da sensualidade nas fotos, no final. Conclusão: se você precisar muito de uma sonora e não tiver nenhum mic por perto, ela aguenta MAS o lugar precisa ser silencioso.
O microfone direcional de mão me incomoda muito na composição da fotografia de uma matéria como essa. Também admito que se tivesse usado o lapela, ficaria muito melhor. Vejam outro erro que cometi no posicionamento do Fabio, na parte em que estamos fora da casa, ele está encostado na parede e seu olhar deveria apontar para o lado direito (e detalhe: mesmo assim eu não teria gostado, o ideal seria pensar outro lugar). Eu o coloquei próximo a parede, obviamente eu estava do lado esquerdo da câmera, é onde videorrepórter sempre está por causa do LCD, e ele olhou para mim, o que é absolutamente certo. Diante dessa cena, prestem atenção no vácuo que ficou do lado direito. No calor da gravina, não acertei nesse momento.
Por outro lado acredito que conseguimos trabalhar bem durante toda a videorreportagem. O casal foi muito paciente, tivemos liberdade para errar e acertar. E no final, acho que acertamos bastante.
Ah, e claro, para ver mais fotos do Fábio e da Patricia, é só visitar o flickr deles: www.flickr.com/fabiostachi e www.flickr.com/patriciacosta. Curtam!