Documentários de bolso: Negra Jhô

Bahia, pelourinho. Véspera de um carnaval qualquer. Caminhos tortos, subo, desço e me deparo com Negra Jhô. Reparo que ela é daquelas que rodam a baiana. E bota baiana nisso.

É comum encontrarmos várias cabelereiras com suas cadeiras nas ladeiras do Pelô. A estética afro convence negros e brancos a mudarem o visual. Ah, esse é um cenário de encher os olhos e, claro, tem seus personagens típicos. Há os que conhecem cada cantinho do Pelourinho, cada sabor, beco, cheiro, cor. E as histórias que moram ali, aquecem o coração.

Não é preciso esperar parar gravar nesse lugar. Sempre acontece algo por ali. Os baianos nascem artistas, desenvolvem desde bem pequenos uma intimidade sincera com as câmeras, um swing bom de ver e registrar. Queria ficar mais e tive de voltar.

O axé de Maga e a falta de rebolado da imprensa

Alou, você que está com o coração palpitando no ritmo do Carnaval! Alou você que trabalha na imprensa e vai cobrir este Carnaval! Cuidado com os seus coleguinhas, o clima de alegria nem sempre é contagiante, especialmente para quem precisa fazer matérias em lugares absurdamente lotados, som alto, enfim, aquele pacotão da folia.

Dia desses fui para Salvador gravar um ensaio da Margareth Menezes com participação da Daniela Mercury. A assessoria de imprensa do evento e da Margareth são incríveis, o que estraga somos nós mesmos, os jornalistas. Imaginem que eu cheguei sozinha, câmera na mão, microfone na outra, mochila nas costas. Tinha algumas equipes de tvs locais, a equipe do Bruno de Lucca do Multishow e uma trupe com camisetas escrito Youtube/Carnaval.

Achei legal encontrar a equipe do Bruno por lá porque tirei uma dúvida persistente sobre o processo de trabalho dele. Ele é uma espécie de videorrepórter fake, ou fajuto. Sim, aquela câmera na mão é uma brincadeira, uma onda, um tempero. Ele está sempre escoltado por um cinegrafista que cuida da imagem, áudio e luz. Depois que li que o Bruno estava estudando cinema algo me fez pensar que ele estava entusiasmado com a videorreportagem, creio que me enganei. Videorreportagem não tem glamour, não atrai qualquer um. É preciso ralar pacas, suar, carregar tripé, correr pra um lado para pegar uma imagem, correr para outro lado para fazer uma entrevista, estar antenado em tudo o que acontece, quem entra, quem sai. Fazer eventos é assim. Você é o primeiro a chegar, o último a sair e muitas vezes ainda vai para a ilha de edição depois da gravina.

Nessa pauta da Margareth Menezes aconteceu uma coisa muito comum na rotina do videorrepórter: quando eu consegui chegar no para o espaço onde os cinegrafistas se posicionaram para gravar o palco, estava lotado. E para complicar a cena sou mulher, baixinha e míope. Se você é mulher e videorrepórter, saiba que o preconceito é ainda mais irritante.

Para vocês terem idéia do naipe de um cinegrafista da globo que estava lá, ele colocou a câmera na frente de outro cinegrafista, sem nenhum pudor, na frente mesmo. Esse “outro” era um dos que estavam com a camiseta escrito Youtube/Carnaval e claro que ele reclamou e disse para o “cinegrafista-globo” que ele estava atrapalhando. Sabem qual foi a resposta? “Mermão, isso aqui (bateu na câmera com as mãos) é televisão!”

Choquei. As pessoas de fato não tem noção do que fazem e falam. Nem digo que esse cara perdeu o senso porque para falar uma coisa desse tipo, ele nunca teve referência do próprio trabalho. E eu vi e ouvi essa cena ridícula bem de perto. A luta por um espaço longe do palco e que me renderia imagens ruins estava acirrada. Corri para a assessoria e eles me ajudaram. Me colocaram na lateral do palco, não tinha ninguém da imprensa por ali MAS não demorou muito e pipocou duas, três fotógrafas que além de estarem a trabalho também eram tietes então elas fotografavam e dançavam, mais dançavam do que fotografavam e me empurravam com os cotovelos, um horror. Uma até caiu num vão entre o palco e a estrtutura onde eu estava, tamanha euforia, juro.

E o que você faz nessa situação videorrepórter? Continua vivendo como se nada tivesse acontecido. Faz a tua melhor imagem, garante a tua matéria porque o show tem que continuar. E continua. :)

Eu, Ivete e 150 mil pessoas

A cantora baiana Ivete Sangalo se apresentou em Guarulhos no dia 17 de outubro e levou ao delírio  cerca de 150 mil pessoas. Os ingressos foram trocados por 1KG de alimento e o evento foi uma promoção da BAND FM com apoio da prefeitura local.

A diva baiana apresentou ao público um show muito parecido com o que abalou as estruturas do Madison Square Garden, em Nova York, no mês de setembro durante a gravação do próximo DVD da cantora, que será lançado no final do ano.

Ivete me recebeu no seu camarim um pouco antes do show começar. Ela é daquelas pessoas que te surpreendem pela simpatia, por ser mais daquilo que se espera de um artista, por atender o público e a imprensa com entusiasmo e carinho.

Eu vi diversas demonstrações de cumplicidade entre ela e os fãs. Na entrevista, perguntei sobre essa relação tão calorosa com as pessoas e Ivete também me revelou qual foi o maior aprendizado da sua carreira.